sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Mostra Wim Wenders questiona funcionalidade da Cinemateca de Curitiba

O cineasta Wim Wenders teve grande influência do cinema underground americano


     Entre os dias 14 e 21 de setembro, a Fundação da Caixa Cultural de Curitiba  recebeu a Mostra Cinematográfica “Wim Wenders – Imagens que obedecem”, que homenageou o trabalho de um dos cineastas mais importantes do Cinema Novo Alemão. Dentre o cronograma de apresentações de 15 longas metragens, o que causou uma discussão importante foi a questão da má utilização das Cinematecas, principalmente em Curitiba.
    Aristeu Araújo, crítico de cinema e colunista da Revista Moviola, comentou que além da importância da cinegrafia do cineasta, “Wim Wenders representa um homem apaixonado pelo cinema, já que era um cinéfilo declarado.” Wenders afirmou em várias entrevistas que em um ano, chegou a assistir de 5 a 6 filmes por dia. Muitas vezes escondido para não ter que pagar mais do que uma sessão, nas salas de cinema que frequentava.
    “Um exemplo da má funcionalidade da Cinemateca de Curitiba é o filme Serras da Desordem, de Andrea Tonacci, muito bem visto pelos críticos, que foi lançado em 2006, mas que aqui em Curitiba foi visto pela primeira vez, de modo oficial, no Paço da Liberdade no SESC Paraná, nesse mês”, afirmou Araujo.
    Assim, foi levantada a discussão da funcionalidade das Cinematecas. O colunista declarou que as duas principais funções desses espaços são: guardar a história do cinema e exibir filmes importantes. Mas que isso aqui em Curitiba não acontece. Diferentemente dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro em que há, pelo menos, uma tentativa de exercer essas funções.
    Outra utilização que podia ser feita das Cinematecas é propor recortes, discussões e educar a platéia para assistir filmes que não tem características comerciais, ou seja, que não são vistos pelo grande público, conta Araujo.
    Win Wenders deixa tão claro sua paixão por filmes, que em todas as suas produções é possível encontrar citações do cinema. Além de que, Wenders utiliza em suas narrativas as grandes paisagens, o homem deslocado da sociedade, em busca de uma identidade, principalmente a norte-americana.
    O cineasta utiliza-se de um pilar muito forte em suas obras que é a imagem verdadeira, que evita o produzido e montado, pelo natural. Isso porque Wenders, segundo Aristeu Araujo, é de uma geração pós Segunda Guerra Mundial, que se sente “culpada” pelas atrocidades cometidas com o Nazismo. Ele tenta com a imagem verdadeira, construir novamente a credibilidade do cinema, que foi perdida na geração anterior, já que Hitler utilizava-se de publicidade.
Para Wenders as imagens são preciosas. Elas precisam obedecer uma história

    A mostra recebeu o nome de “Imagens que obedecem” porque Wenders acredita que uma imagem precisa ser mais que um quadro, e que precisa contar uma história. Logo suas imagens são muito ricas de informação, não só de deslumbre estético.
    Wenders produziu cerca de 40 filmes, mais de 90% deles são filmes de viagens e que fazem constante apelo ao humanismo.
    A mostra é inédita e criada especialmente para a Caixa Cultural e esteve nas cidades de Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro.

Texto: Diane Cursino
Imagens: Divulgação

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