Artistas se renovam através de trilhas sonoras para Cinema
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| Grupo Alma Terra Duo |
Em 1979 o compositor paranaense Arrigo Barnabé causou grande impacto no cenário artístico brasileiro ao misturar as narrativas das histórias em quadrinhos com música serial (uma espécie de música composta em séries de arranjos).
Em 2001 o também compositor Alma terra duo ocasionou piquetes de seguimentos puristas da música caipira por misturar viola-caipira com atonalismo (espécie musical que independe de campo harmônico). Porém, o que esses artistas paranaenses têm em comum além de serem do Paraná? A intensiva visualidade que suas musicas aproximam.
Arrigo Barnabé, uma unanimidade na música nacional, além de ter criado uma nova ótica musical também é ator e poeta. Sua filmografia conta com 5 atuações e 3 trilhas compostas. Ele explica como se inicia um processo de produção, “Primeiro tem que pensar no contexto histórico e no modo musical que é pretendido, se não houver melhor”, conta Barnabé.
Nas composições de o Alma terra duo, a necessidade de uma linguagem e identidade sonora foi mais importante que o contexto, “precisamos entender o que fazemos para daí sim criar o contexto” diz Marco Cardoso violonista do duo.
Para entender o debate criado pelos artistas foi preciso recorrer a trilhas históricas dos mesmos. A ideia de Arrigo aparece com clareza no filme Oriundi de 1999 dirigido por Ricardo Bravo onde a estética italiana é colocada como ponto vital independentemente da cultura sonora de Barnabé, enquanto a ideia do Alma Terra de fixação da identidade aparece no documentário Tropeiro Alma Sem Fronteira de 2003 dirigido por Homero Camargo em que o bucolismo estético compõe a identidade sonora do filme e do compositor da trilha.
A criação: Existem duas ramificações nos trabalhos de trilha: o primeiro a música propriamente dita, o segundo a sonoplastia e os efeitos de som, que também pode ser acompanhado por musica, por exemplo a Trilha de Pantera Cor-de-Rosa de Waltel Branco (compositor parnanguara). Essa forma de composição é muito visível em desenhos animados.
Para Cardoso, o start criativo pode ser dado de duas formas, o primeiro pelo dialogo do compositor com o diretor do audiovisual, o segundo “sem responsabilidade” alguma do compositor, apenas porque a música é adesiva a proposta do filme.
A utilização de obras musicais não autorais: Rafael Lopes atualmente está fazendo um documentário sobre a música de Curitiba e, como diretor, utiliza músicas de cada artista para compor a obra.
Arrigo Barnabé conta que é muito mais viável dar um contexto autoral a música. ”Minha voz é desafinada, mas consigo torná-la expressiva dentro de um arquétipo”. Arrigo atuará em seu sexto filme e quarta trilha Nervos de Aço e fará a trilha através de músicas de Lupicínio Rodrigues.
Os dois artistas são de estilos e linguagens diferentes, mas o processo acaba sendo pessoal independente da forma como é colocado.
Alma Terra Duo e Arrigo Barnabé caracterizam o posicionamento de vanguardas paranaenses sobre a linguagem cinematográfica ora redundante ora neológica. Uma linguagem que através da música gera contexto ao cinema.
Filmografia de Barnabé:
2011 - Nervos de Aço
2002 - Desmundo
1999 - Oriundi
1987 - Anjos Da Noite
1986 - Nem Tudo É Verdade
1986 - Cidade Oculta
1981 - O Olho Mágico Do Amor
Filmografia de Alma Terra Duo
2003 – Tropeiro Alma sem Fronteira
2009 – Sais de ouro em Grãos de Prata
Por Elian Woidello

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