quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Vermelho Caos enquanto metáfora social

 


O objetivo de todo roteirista é ver sua história projetada em imagens em movimento. Mais do que isso é dirigir uma equipe e transpor suas ideias antes no papel, para as grandes telas de cinema da forma mais adequada possível, sem perder suas características iniciais.
Durante o final de semana dos dias 3, 4 e 5 deste mês, o prédio velho e abandonado da Guarda Municipal na Rua Carlos Cavalcanti em Curitiba, serviu de cenário para as gravações de uma iniciativa independente de produção audiovisual. Vermelho Caos é um curta de ficção que se desenvolve dentro de uma sala de condenação.
O local escolhido agrega elementos de composição à história. “Encontrar um set de locação e construir um cenário é uma coisa mais hollywodiana”, diz Ozy Cervian, diretor de arte do curta.


  Making off - Bastidores do início da Gravação de Vermelho Caos

Estreante enquanto roteirista e diretor, Eder Puchalski visualiza o produto final de suas ideias mediante as primeiras gravações do curta Vermelho Caos, uma metáfora social e que deve ser finalizada até o fim deste ano.
O roteiro foi trabalhado por pelo menos cinco meses, até que as gravações propriamente ditas começassem. De acordo com Puchalski, “O roteiro é muito visual, com imagens fortes e de contraste. O fato de utilizar pouco diálogo e não entregar de forma explícita os objetivos da história é uma forma de deixar aberta a interpretação do espectador”.
Do cenário a fotografia, valorizar o contraste foi à principal preocupação de toda a produção. As cenas de introspecções, por exemplo, “têm uma questão estética e artística parecida com Lars Von Trier, ao elucidar uma linguagem lúdica com pontos de luz em cima dos personagens representados”, completa Cervian. 


Cena do filme Vermelho Caos

A própria fotografia “foi baseada em Rembrandt, que usa bastante penumbra e claridade, sempre com um ponto de luz”, conta o diretor de fotografia Marcelo Corrêia. Segundo ele, mais importante do que a fotografia, iluminação ou o som é simplesmente contar a história, sendo fiel a ideia elaborada pelo autor.

Núcleo de Produção Digital
Equipe de Vermelho Caos no set de gravação
         A equipe de trabalho do Vermelho Caos faz parte do Núcleo de Produção Digital, um grupo permanente formado por alunos que realizaram o curso prático de cinema da Cinemateca de Curitiba. O curso está ligado a Rede Olhar Brasil, um programa pertencente ao Ministério da Cultura que apóia a produção audiovisual através da disponibilização de equipamentos.
O curso prático de cinema é divido em duas etapas: a etapa teórica e a prática. Na parte teórica um roteiro é desenvolvido e na parte prática, executado.
Dentre os roteiros apresentados durante este período, o curta Vermelho Caos foi um dos roteiros escolhidos para ser desenvolvido pelo grupo. “A idéia é fazer filmes que possam competir nos festivais tanto no Brasil quanto no exterior e que se possa ganhar dinheiro”, conta Geraldo Piolli, coordenador do curso prático de cinema.
Não só no caso do Vermelho Caos, mas em todas as produções do núcleo, o objetivo é fazer produções independentes e com baixo custo de produção.

Texto: Talita Inaba/Diane Cursino
Imagens: Produção Vermelho Caos

Nenhum comentário:

Postar um comentário