quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Jussara Joekil, perito criminal, em entrevista a CP, faz uma crítica ao retrato que o cinema e a televisão fazem de sua profissão

Jussara Joekil nos recebe em sua casa

O piano é um elefante branco em sua casa, pois ela não toca nada. Pertence a sua filha que mora na Alemanha

      O ser humano é avesso a certos temas que o incomodam. A morte é um deles. Jung em seu ensaio intitulado Alma e morte se contrapõe a esse pensamento ao dizer “devemos perceber como é grande a semelhança entre o desejo de viver e o desejo de morrer. Só permanece vivo quem estiver disposto a morrer”. O nosso personagem se relaciona todos os dias com esse tema, pois trabalha a muitos anos com o assunto. Mas nem por isso é menos humano, como qualquer outra pessoa, ou passa a ser descrente, por ver tanta desgraça alheia. Enfim, a morte pode estar banalizada, mas cada indivíduo possui o seu olhar sobre essa questão. Só depende de onde se está, à margem ou no centro da questão.
        Nascida e criada no bairro Portão, Jussara Joekil, 52 anos, presenciou tanto mudanças drásticas nos costumes curitibanos, quanto nos aspectos urbanos da cidade. Junto com a metrópole, nascem os arranha-céus, indústrias, desenvolvimento, etc. Mas também advêm problemas urbanos e sociais decorrentes do próprio inchaço populacional, proporcionado por todo esse crescimento. Um desses problemas é a violência, que em contrapartida gera muitas mortes na capital, em média 2 homicídios por dia segundo Mapa do Crime de 2011.

Ela também leva trabalho pra casa. Afinal a sua rotina é desgastante
             A vinte e três anos, Jussara é perito criminal do Instituto de Criminalística do Paraná, atuando na especialidade de morte violenta. Segundo ela a sua grande inspiração foi o seu pai, que era policial, e desde a infância, sonhava com essa profissão. “Nunca me vi fazendo outra coisa, eu sempre quis ser polícia”, afirma a perita.
            Uma dona-de-casa, mãe, casada, com 3 filhos já criados. Que sempre procura ficar junto da sua família. Religiosa, acredita que Deus a colocou nesse ofício para tentar fazer justiça. Considera uma missão divina, ajudar as pessoas, solucionando os casos, principalmente aqueles em que o acusado nada deve.  Adora animais, atualmente está com quatro cachorros. Seus hobbies prediletos são fazer trabalhos manuais, costura, pintura e também atirar, afinal, são ossos do ofício.  Mas o que ela gosta mesmo, quando não está trabalhando, é de ler romances, especialmente de Oscar Wilde, e que de preferência não tenham nada a ver com violência.

Seu Hobbie é pintar e admirar obras clássicas
            Ela é psicóloga, mas nunca atuou na área. Por sua experiência com a morte, apresenta uma visão verídica e sincera de uma realidade que não queremos enxergar ou preferimos simplesmente negá-la por comodidade. Porém Sartre contesta esse posicionamento sendo bem otimista quanto ao reconhecimento de nossas limitações afirmando que “a medida que nos conscientizamos de nossa mortalidade e fragilidade, poderemos mais intensamente valorizar a vida e viver sem desperdício de um só minuto de nossa existência” .

Adora ler romances, principalmente de Oscar Wilde 

CP – Como você enxerga o retrato que os seriados como CSI e o cinema realizam sobre o ofício de um perito criminalístico?
Jussara Joekil - É muito frustrante como o cinema e a televisão retratam o nosso ofício. Apesar de mostrarem exatamente aquilo que fazemos, quanto a equipamentos, materiais e as técnicas. Existem algumas fantasias. Nesses seriados todos os casos possuem começo, meio (que é o processo investigativo) e um fim, que é quando se prende o acusado e se mostram as evidências que levaram até ele. Na vida real é outra coisa. De cada 10 casos, eu diria que 3 nós vemos o final. Não porque não queiramos, mas por excesso de trabalho. Outra coisa que considero errôneo nesses seriados como CSI e Cold Case, é o fato de que algumas mulheres ao mesmo tempo que estão pegando o cadáver, arrumam o cabelo ou ajeitam os óculos. Isso é totalmente contra a segurança do trabalho. A partir do momento que eu coloco as luvas, a minha mão deve sair do meu corpo. Antes de retirá-las, não posso tocar em nada mais. 

CP – Os jovens se interessam pela profissão? O que eles podem agregar ao trabalho que já é feito?
Jussara Joekil - Atualmente, até pela visibilidade que esses mesmos seriados proporcionam, existem muitos jovens com bagagem acadêmica interessados e ingressando nesse ramo. Vejo com otimismo a entrada desse pessoal nessa atividade. Um aspecto é o quantitativo pela demanda crescente de crimes. Outro é o tecnológico, pois esse pessoal vem trazendo mais energia e conteúdo operacional pra nossa atividade, que aliada a experiência que nós já possuímos, podem trazer grandes avanços ao trabalho desenvolvido nessa área.

CP – Curitiba é uma cidade segura? Como você vê o jovem nesse mundo violento?
Jussara Joekil - Neste momento não. Hoje os pais estão enterrando os filhos. E se continuar no ritmo que está daqui a 20 anos existirá uma lacuna no nosso país. Seremos um país de velhos e crianças, tamanha a destruição que o tráfico de drogas e de armas vem causando a nossa juventude. Principalmente o tráfico de armas, pois são elas que matam diretamente. Em todos esses anos de trabalho, se presenciei 4 casos de morte por overdose de drogas, foram muitos. A droga em si não mata, as armas sim. Por isso temos que combater esse tipo de tráfico a todo custo.

CP – Qual é o fundamento de se trabalhar com a morte? O que mais lhe fascina?
Jussara Joekil - A essência do que faço não está em trabalhar para a vítima ou para o rel, mas para servir a justiça. E o que mais me fascina é o processo de investigação.

CP – O perito criminal hoje, sofre preconceito devido ao que faz?
Jussara Joekil - Sim, devido a falta de conhecimento e preconceito das pessoas, que chegam até a se revoltar com a nossa presença no cenário do crime. Já me falaram que a gente demora pra chegar no local, porque queremos dinheiro. Existem processos burocráticos num homicídio, que devem ser cumpridos, como a chegada da polícia militar e civil primeiramente. Só que algumas pessoas ignorantes não entendem.

CP - Quais as principais dificuldades do ofício?
Jussara Joekil - No meu caso é a idade, porque não existem mortes só em via pública e dentro de casa. Existem lugares que você tem que andar no lombo de cavalo por 30Km por exemplo, e às vezes é dentro do mato, de noite, na chuva, banhado. Enfim, o meu maior obstáculo hoje, é a minha condição física para essa atividade.

CP – Como você relaciona vida pessoal e trabalho?
Jussara Joekil - Acho que eu sei separar bem as coisas. O meu trabalho é só mais um trabalho. O cadáver é só mais uma peça do crime, além dos vestígios e evidências. Não o vejo com emoção, porque não é mais um ser humano, é um cadáver. E por ele não ter mais vida, isso não me choca.

CP – O que sente ao se deparar com uma vítima e seus familiares? Como se dá essa relação?
Jussara Joekil -  Não tenho pena das vítimas e nem dos familiares. A minha relação com os parentes dessas pessoas é de carinho e sinto que o meu dever é ajudá-las. Enxergo tudo isso como um processo natural de maturidade, que a minha profissão me condiciona perante a morte. Se eu não me dissociar do aspecto sentimental, seria impossível a minha atuação nessa rotina.
  
CP – De que forma a sua família enxerga a sua profissão?
Jussara Joekil - Eu constitui família depois de já trabalhar como policial perito. Então, desde que concebi a minha família, todos sempre estiveram cientes do que faço. Ás vezes trago material e faço laudos em casa. O meu marido e os meus filhos perguntam, questionam e comentam sobre o que acham sobre os casos. Já a minha menina, que é engenheira, casou recentemente e foi morar na Alemanha, sabe o que faço, mas não quer nem saber do assunto, pois lhe causa pavor. Mas acredito que todos eles já estão acostumados, e que me admiram. O caçula até quer ser policial.

Por  RogérioTeotonio
Imagens: Elian Woidello/Rogério Teotonio

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Doc Chileno "Operação Vento Forte"


    Carpano Produção entra no cenário Latino Americano de cinema. Bom, pelo menos a princípio num blog que fala sobre o tema, o LALATINA- O primeiro site brasileiro especializado em cinema latino. Na matéria feita por Rogério Teotonio Rodrigues sentimos a atuação do cinema como agente de reconstrução social, em pról de uma vida melhor ou pelo menos, menos sofrida. Que teve origem por uma catástrofe natural.
 


Pontes destruídas da cidade de Tubul

Diego Stavitzki -diretor do filme e Tatiana Hultmann - co-roteirista

Depois do terremoto, pessoas ficam desabrigadas

Em Tubul, 96% das cadas foram destruídas

Todos os envolvidos na reconstrução da escola Brisas Del Mar

Chegada dos Materiais na escola

Diego tira fotos onde praticamente tudo ficou destruído

Escola Brisas Del Mar - construída em um mês com uma estrutura de contêineres

Uma das pontes destruídas

O acesso a cidade de Tubul ficou limitado aos barcos, pois as pontes ruíram

Através do patriotismo ainda se busca a esperança


Crianças da escola Brisas Del Mar
 
    Você também pode conferir a matéria na CINEACADEMIA- revista digital experimental realizada pelos acadêmicos do terceiro ano de Jornalismo da PUCPR.

Vermelho Caos enquanto metáfora social

 


O objetivo de todo roteirista é ver sua história projetada em imagens em movimento. Mais do que isso é dirigir uma equipe e transpor suas ideias antes no papel, para as grandes telas de cinema da forma mais adequada possível, sem perder suas características iniciais.
Durante o final de semana dos dias 3, 4 e 5 deste mês, o prédio velho e abandonado da Guarda Municipal na Rua Carlos Cavalcanti em Curitiba, serviu de cenário para as gravações de uma iniciativa independente de produção audiovisual. Vermelho Caos é um curta de ficção que se desenvolve dentro de uma sala de condenação.
O local escolhido agrega elementos de composição à história. “Encontrar um set de locação e construir um cenário é uma coisa mais hollywodiana”, diz Ozy Cervian, diretor de arte do curta.


  Making off - Bastidores do início da Gravação de Vermelho Caos

Estreante enquanto roteirista e diretor, Eder Puchalski visualiza o produto final de suas ideias mediante as primeiras gravações do curta Vermelho Caos, uma metáfora social e que deve ser finalizada até o fim deste ano.
O roteiro foi trabalhado por pelo menos cinco meses, até que as gravações propriamente ditas começassem. De acordo com Puchalski, “O roteiro é muito visual, com imagens fortes e de contraste. O fato de utilizar pouco diálogo e não entregar de forma explícita os objetivos da história é uma forma de deixar aberta a interpretação do espectador”.
Do cenário a fotografia, valorizar o contraste foi à principal preocupação de toda a produção. As cenas de introspecções, por exemplo, “têm uma questão estética e artística parecida com Lars Von Trier, ao elucidar uma linguagem lúdica com pontos de luz em cima dos personagens representados”, completa Cervian. 


Cena do filme Vermelho Caos

A própria fotografia “foi baseada em Rembrandt, que usa bastante penumbra e claridade, sempre com um ponto de luz”, conta o diretor de fotografia Marcelo Corrêia. Segundo ele, mais importante do que a fotografia, iluminação ou o som é simplesmente contar a história, sendo fiel a ideia elaborada pelo autor.

Núcleo de Produção Digital
Equipe de Vermelho Caos no set de gravação
         A equipe de trabalho do Vermelho Caos faz parte do Núcleo de Produção Digital, um grupo permanente formado por alunos que realizaram o curso prático de cinema da Cinemateca de Curitiba. O curso está ligado a Rede Olhar Brasil, um programa pertencente ao Ministério da Cultura que apóia a produção audiovisual através da disponibilização de equipamentos.
O curso prático de cinema é divido em duas etapas: a etapa teórica e a prática. Na parte teórica um roteiro é desenvolvido e na parte prática, executado.
Dentre os roteiros apresentados durante este período, o curta Vermelho Caos foi um dos roteiros escolhidos para ser desenvolvido pelo grupo. “A idéia é fazer filmes que possam competir nos festivais tanto no Brasil quanto no exterior e que se possa ganhar dinheiro”, conta Geraldo Piolli, coordenador do curso prático de cinema.
Não só no caso do Vermelho Caos, mas em todas as produções do núcleo, o objetivo é fazer produções independentes e com baixo custo de produção.

Texto: Talita Inaba/Diane Cursino
Imagens: Produção Vermelho Caos

De Curitiba à Antonina - Ponta da Pita

Confiram a último curta da Carpano Produção:


          "Ponta da Pita", mais um curta metragem da Carpano Produções. Um filme noir baseado em Chinatown de Roman Polanski. Teve como palco principal a bela cidade histórica de Antonina - PR. Elenco: Marcos José e Talita Inaba. Direção e edição: Ricardo Tomasi. Câmera e fotografia: Richard Roch. Produção: Ellian Woidelo,  Diane Cursino e Rogério Teotonio.

E NÃO PERCAM !!!! Em breve, o mais novo filme da Capano -  Kháron
Confira em primeira mão a storyline:

         Atormentado por visões sobre um passado incerto, o protagonista passa por diversos eventos fantásticos em busca de sua própria aceitação perante a morte de sua amante. Sua rotina intercala momentos de extremo marasmo com devaneios perturbadores sobre a imprecisão de seus atos e pensamentos.